
Há frases que resumem toda uma estratégia: Alfa Romeo continuará a ser uma marca concebida sobretudo para o prazer de condução. Numa entrevista à Autocar, o novo diretor de design europeu da Stellantis expôs a visão do Grupo para as suas várias marcas. E neste vasto tabuleiro de xadrez, a Alfa Romeo mantém um lugar muito especial.
Alfa Romeo, uma marca centrada no condutor
Ao contrário de algumas marcas que se concentram sobretudo no conforto, no design ou na tecnologia, a Alfa Romeo continuará a privilegiar uma abordagem muito mais emocional. Para Gilles Vidal, o ADN é claro: um Alfa Romeo deve, acima de tudo, ser sentido.
Isto significa fazer escolhas muito concretas. O designer insiste na importância dos controlos físicos, do toque e da ligação entre o automóvel e o seu condutor. Numa altura em que muitos construtores avançam para interiores totalmente digitais, este posicionamento está longe de ser insignificante. O objetivo é simples: recriar uma sensação mecânica e imersiva, quase análoga, mesmo nos modelos mais acessíveis. Uma filosofia diretamente inspirada em modelos excepcionais.
O exemplo extremo do 33 Stradale
Para ilustrar esta visão, Gilles Vidal cita um modelo emblemático: o’Alfa Romeo 33 Stradale. É certo que este supercarro continua inacessível à grande maioria dos clientes. Mas serve de referência emocional. O objetivo da Alfa Romeo não é democratizar o seu desempenho, mas sim transmitir as suas sensações.

Por outras palavras, mesmo um automóvel compacto ou um SUV como o Júnior deve oferecer, à sua escala, esta impressão de uma ligação entre o homem e a máquina. Promessa cumprida?
Uma estratégia global: evitar os “clones” em Stellantis
Esta direção para a Alfa Romeo faz parte de uma estratégia muito mais vasta. Gilles Vidal foi muito claro: Stellantis quer acabar com os modelos demasiado semelhantes entre as marcas.
O grupo, que inclui a Peugeot, a Citroën, a Fiat, a Lancia, a Alfa Romeo, a DS e a Opel, tem de evitar que os seus próprios automóveis concorram entre si. Para o cliente, uma realidade permanece: ninguém compra um Stellantis. Compra-se uma marca. E cada marca deve ter uma identidade clara e imediatamente reconhecível.
A Alfa Romeo deve, portanto, destacar-se, não só pelo seu design, mas também pelo seu comportamento e sensações. Enquanto outros se concentram na inovação, acessibilidade ou conforto, a Alfa Romeo deve encarnar o puro prazer.
A Alfa Romeo enfrenta o seu futuro elétrico
Resta uma questão fundamental: como preservar este ADN num futuro largamente electrificado? Embora Gilles Vidal ainda não tenha dado uma resposta técnica exacta, o seu discurso envia um sinal forte. Mesmo numa era dominada por ecrãs e software, a Alfa Romeo terá de se manter fiel às suas raízes.
Isto pode significar escolhas arrojadas em termos de interface, sensações de condução ou mesmo a forma como o condutor é apresentado no habitáculo. Para continuar...