
O relançamento do Lancia é um processo longo, frágil e ainda cheio de incertezas. Depois de um ano de 2025 marcado por um regresso gradual a vários mercados europeus, Os primeiros números relativos a 2026 revelam já um certo número de tendências. E são bastante reveladoras: enquanto a Itália e a Espanha parecem apoiar o renascimento da marca, a França permanece muito mais reservada.
Crescimento visível em Itália
Sem surpresas, a Itália continua a ser a verdadeira força motriz da Lancia. Nos dois primeiros meses de 2026, a marca já registou 2 013 automóveis em Itália, dos quais 1 027 em janeiro e 986 em fevereiro.
Estes números são particularmente interessantes quando comparados com o início do ano anterior. Em janeiro e fevereiro de 2025, a Lancia registou 1 816 matrículas em Itália (890 + 926). Isto representa um aumento de mais de 10 %, um sinal bastante encorajador para uma marca que ainda está em processo de reconstrução.
Esta dinâmica confirma que a nova Lancia Ypsilon, agora o único modelo da gama, começa gradualmente a encontrar o seu lugar no mercado nacional. A Itália continua a ser o reduto histórico da marca e Stellantis sabe que o sucesso do relançamento dependerá, antes de mais, da consolidação desta base nacional.
Espanha, um mercado que está a descolar
Mais surpreendentemente, foi em Espanha que o crescimento foi mais espetacular. Com 85 registos em janeiro e 114 em fevereiro, a Lancia conta já com 199 unidades para os dois primeiros meses de 2026.
A título de comparação, a marca vendeu apenas 111 automóveis no mesmo período de 2025 (31 em janeiro e 80 em fevereiro). O mercado espanhol está, portanto, a registar um crescimento muito claro.
Este resultado não é provavelmente uma coincidência. A Espanha desempenha um papel especial na estratégia industrial da marca, uma vez que o novo Ypsilon é produzido na fábrica de Saragoça. Esta presença industrial pode contribuir para aumentar a visibilidade do modelo a nível local e facilitar a sua adoção.
Mesmo que os volumes permaneçam modestos, este aumento mostra que a Lancia está a começar lentamente a estabelecer-se em certos mercados europeus.
A França continua surpreendentemente fria
Em França, no entanto, a situação é muito mais mista. Nos dois primeiros meses de 2026, a Lancia registou um total de 161 automóveis, dos quais 75 em janeiro e 86 em fevereiro.
À primeira vista, estes valores podem parecer comparáveis aos de 2025. Mas, numa análise mais atenta, a tendência é, de facto, ligeiramente negativa. No mesmo período do ano passado, a marca registou 161 matrículas (80 em janeiro e 81 em fevereiro).
Por outras palavras, o relançamento da Lancia não está a fazer grandes progressos no mercado francês. O nível de vendas continua a ser extremamente modesto para um país que é um dos maiores mercados automóveis da Europa. A visibilidade da marca neste país continua a ser limitada, nomeadamente em termos de comunicação e de rede.
Recuperação europeia ainda muito frágil
Considerando os principais mercados europeus, a Lancia já registou 2 350 automóveis nos primeiros dois meses de 2026.
Os volumes continuam a ser modestos, mas mostram que a marca prossegue a sua reconstrução progressiva. A Itália continua a representar a maior parte das vendas, enquanto a Espanha parece estar a tornar-se um segundo ponto de ancoragem. Outros mercados, como a Bélgica e os Países Baixos, estão também a contribuir, mas ainda a níveis muito limitados.
A Alemanha, por sua vez, não está incluída nas estatísticas por enquanto. De momento, a marca não tem planos de relançamento neste mercado.
Esta situação recorda-nos que o renascimento da Lancia continua a basear-se num único modelo, o Ypsilon. Uma estratégia arriscada para uma marca que procura reconstruir a sua imagem em vários mercados ao mesmo tempo.
Gamma, a peça-chave do conjunto
Mas o próximo passo pode mudar tudo isso. Em 2026, a Lancia deverá apresentar o novo Gamma, um SUV de 4,6 metros concebido para alargar a gama.
Ao contrário do Ypsilon, que é produzido em Espanha, este novo modelo será fabricado em Itália, na fábrica de Melfi. Trata-se de uma escolha estratégica que deverá reforçar as raízes nacionais da marca, permitindo-lhe posicionar-se num segmento muito mais dinâmico do que o dos veículos citadinos.

Com este SUV, a Lancia espera ter finalmente uma gama capaz de apoiar a sua recuperação comercial. Embora os primeiros sinais sejam encorajadores nalguns países, os números continuam a mostrar uma realidade clara: o renascimento da Lancia está bem encaminhado... mas está longe de estar ganho.
Há pelo menos duas razões pelas quais o Lancia Ypsilon vende tão pouco em França:
o número de pontos de venda é muito reduzido, enquanto no passado o Lancia estava disponível em todos os pontos de venda da FCA, atualmente é necessário procurar muito para saber onde o comprar.
Em segundo lugar, a gama de motores oferecidos é insuficiente.
É uma pena, porque este carro é atraente, luxuoso, bem acabado e divertido de conduzir.
Os dias em que a Lancia vendia 5000 carros por ano no pequeno mercado suíço. Vendas equilibradas entre o Y10, Delta, Prisma e Thema 😔 O Thema esteve no top 30 durante anos. Boas vendas então para o Dedra. O resto é história. Embora o Lybra fosse, na minha opinião, qualitativamente o melhor Lancia.
Para o vender, é preciso publicidade e, de momento, não vejo nenhuma nos meios de comunicação social, em painéis publicitários. Vi alguns, mas não são muito convincentes.
Assim, o problema vem da Stellantis France, que não tem recursos para o vender em França, enquanto não vemos qualquer publicidade para a Peugeot, Citroën, Opel DS, Jeep e um pouco de Alfa Junior.