O concessionário Ferrari propõe substituir os botões tácteis por botões físicos... mas a Ferrari não gostou

Por vezes, há pequenas histórias que dizem muito sobre as tensões entre uma marca e a sua rede. E esta, sobre Ferrari e os seus famosos botões sensíveis ao toque, é um exemplo perfeito. Embora a marca italiana tenha reconhecido oficialmente que cometeu um erro ao voltar aos botões físicos, nem toda a gente era suposto dizê-lo... tão abertamente.

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Quando a Ferrari admitiu o seu erro

Há quase um ano, a Ferrari fez uma grande mudança de direção. Depois de ter introduzido controlos hápticos em modelos como o Ferrari SF90 Stradale, o Ferrari 296 GTB e o Ferrari 12Cilindri, a marca estava a voltar atrás.

A ideia inicial parecia atraente: modernizar a experiência de condução com superfícies tácteis que se pretendiam intuitivas. Na realidade, porém, as críticas foram muitas. Activações não intencionais, falta de precisão, frustração ao volante... até a Ferrari acabou por admitir que os seus clientes não estavam convencidos. Com a chegada de novos modelos como o Ferrari Amalfi, o fabricante reintroduziu os botões físicos. Melhor ainda, foi proposta uma solução retrocompatível, que permite aos proprietários de modelos recentes substituir a sua interface tátil sem mudar todo o volante. Uma admissão rara na indústria automóvel.

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O Ferrari Amalfi volta a ter botões físicos

Um comerciante que vai longe demais?

Até agora, tudo parecia estar sob controlo. Mas no início de 2026, um concessionário americano decidiu acelerar as coisas. Com sede em Atlanta, publicou uma comunicação muito direta no Facebook e no Instagram: os proprietários de Ferrari Purosangue ou 12Cilindri podiam agora substituir os seus comandos tácteis por botões físicos dos novos modelos.

A mensagem era clara, quase provocadora para uma marca como a Ferrari: “Pode agora substituir o seu sistema de botões hápticos pelo novo e melhorado sistema de botões físicos!”

Esta promessa foi acompanhada por um tom entusiástico, quase comercial, que sublinhava o que muitas pessoas estão a pensar: sim, os botões físicos são melhores.

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Uma comunicação rapidamente apagada

O pormenor que muda tudo? Um mês depois, estas publicações simplesmente desapareceram. Não houve nenhuma explicação oficial nem do concessionário nem da Ferrari. Mas é difícil não ver isto como uma reorientação interna.

A mensagem por detrás desta iniciativa era delicada: reconhecer publicamente que um elemento chave da interface de um Ferrari moderno, em modelos que custam várias centenas de milhares de euros, poderia ser entendido como uma falha... e corrigido em troca de pagamento. Este é um facto que a Ferrari admitiu em parte, mas sempre com uma comunicação controlada, centrada na evolução e na escuta dos clientes, nunca num “erro” flagrante.

Entre a imagem da marca e a realidade do cliente

É aí que reside a ambiguidade. A Ferrari sabe que os seus clientes querem botões físicos. Os novos modelos provam-no, tal como as declarações dos seus diretores. Mas, ao mesmo tempo, a marca precisa de preservar a sua imagem: a de um fabricante de vanguarda que não comete erros - ou, pelo menos, nunca o diz claramente. Este concessionário limitou-se a dizer em voz alta o que muita gente já estava a pensar. Talvez de forma demasiado franca.

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