Aos 24 anos, esta mulher começou a restaurar um Ferrari F40: «Por vezes, as pessoas vêm à minha oficina à procura do mecânico»

Com apenas 24 anos de idade, Sophie Saint embarcou num projeto que faria hesitar muitos profissionais experientes: o restauro de um Ferrari F40. A jovem americana, radicada em Los Angeles, já é bem conhecida nas redes sociais, onde partilha os seus projectos de restauro de veículos clássicos com mais de 237.000 seguidores no Instagram. Mas, ao abordar um dos Ferrari A história representa um desafio completamente diferente.

Publicidade

Porque o F40 não é um carro como qualquer outro. O último Ferrari aprovado pelo próprio Enzo Ferrari antes da sua morte, ao longo das décadas tornou-se num verdadeiro mito do automobilismo, admirado por gerações de entusiastas. E Sophie Saint está perfeitamente consciente deste facto.

Um impressionante Ferrari F40

Entrevistado por Supercar Blondie, O jovem restaurador explica que este projeto é diferente de todos os outros. Não porque a mecânica seja particularmente complexa, mas porque a responsabilidade é imensa. «A maior diferença deste projeto é o peso da responsabilidade emocional de o fazer bem feito», diz ela. «Há inúmeras pessoas que admiram este carro e eu não quero desiludir ninguém.»

Publicidade

O Ferrari F40 que está a restaurar foi comprado num showroom privado em Los Angeles. Há vários meses que Sophie Saint está a trabalhar para restaurar o carro ao seu estado original, um exercício que exige paciência e rigor. Encontrar as peças certas é uma das principais dificuldades. Para um modelo tão exclusivo, não basta fazer uma simples encomenda. É preciso contar com uma rede de especialistas no mundo Ferrari e, por vezes, esperar muito tempo para obter componentes que cumpram as especificações originais.

Da mitologia da Ferrari à realidade da oficina

Como muitos entusiastas, Sophie Saint há muito que considera o Ferrari F40 como um carro quase irreal. «Antes de trabalhar no F40, eu via-o como a maioria das pessoas: quase mitologicamente», explica. «É um carro de cartaz, um verdadeiro símbolo da história da Ferrari.»

Mas desmontar, inspecionar e restaurar o supercarro permitiu-lhe descobrir outra faceta da lenda italiana. Segundo ela, cada parte do carro foi concebida com um objetivo específico em mente. Nada está lá para decoração ou aparência. Tudo é ditado pelo desempenho e pela função. É uma filosofia que ela admira particularmente e que ajuda a reforçar a sua ligação ao modelo. Apesar dos meses que passou a trabalhar com ele, diz que continua a ficar impressionada sempre que o vê na sua oficina.

Publicidade

Uma vocação nascida dos Caça-Fantasmas

O caso de amor de Sophie Saint com carros não começou com a Ferrari. Quando era adolescente, ela e o pai ajudaram a transformar um velho autocarro escolar num camião de comida. Mas a verdadeira inspiração surgiu quando se mudou para Los Angeles. Um dia, descobriu uma garagem especializada em veículos famosos de Hollywood. No seu interior, encontrava-se um Cadillac Ecto-1 de 1959, utilizado na saga Ghostbusters.

«Quando vi este carro, apercebi-me de que não era apenas um carro, mas uma personagem», diz ela. Ao observar as reacções dos visitantes a este veículo icónico, apercebeu-se do poder emocional do automóvel. Restaurar um carro não é apenas reparar uma peça mecânica; é também reavivar memórias, emoções e, por vezes, até parte da história pessoal dos seus proprietários.

«As pessoas estão à procura do mecânico».»

Num mundo ainda maioritariamente dominado por homens, Sophie Saint admite que, por vezes, tem levantado algumas questões. «Por vezes, alguém entra no meu atelier e tenta saber onde estou. Perguntam: «Ela trabalha aqui? Há algum mecânico por aqui?», conta com divertimento. No entanto, sente que tem sido relativamente poupada aos preconceitos. Atribui este facto, em particular, à presença de mentores que lhe permitiram aprender cometendo erros e desenvolvendo gradualmente as suas competências.

O seu passado é igualmente atípico. Antes de se dedicar totalmente ao restauro de automóveis, estudou arquitetura, especializando-se na renovação e preservação do património. É um passado que agora influencia a forma como aborda cada projeto.

Publicidade

Na sua opinião, o principal obstáculo para as mulheres não é a falta de interesse ou o medo de se lançarem, mas sim a falta de visibilidade destas profissões junto do público feminino. Este é precisamente um dos objectivos que persegue através das suas redes sociais: mostrar que estas profissões estão abertas a todos.

Quando o restauro estiver concluído, o Ferrari F40 não deverá simplesmente regressar a uma garagem privada. Sophie Saint diz que já estão em preparação vários projectos, incluindo uma possível aparição no prestigiado evento Ferrari Cavallino Classic. Estão também previstas outras aparições em eventos internacionais privados.

Publicidade

Gosta de este post? Partilhe!

Deixar um comentário