
Enquanto a indústria automóvel europeia continua a debater os carros eléctricos, as normas de CO2 e o futuro das grandes marcas históricas, Carlos Tavares parece ter virado a página. O antigo diretor-geral da Stellantis, agora longe da azáfama das salas de reuniões e das conferências de estratégia, leva uma vida muito diferente no seu país natal, Portugal.
Entre o restauro de automóveis clássicos, a gestão de hotéis e a paixão pelo desporto automóvel, Carlos Tavares continua a fazer o que sempre gostou: conduzir. E no fim de semana de 16 e 17 de maio, não foi ao volante de um carro elétrico ou de um protótipo futurista. Não, o antigo patrão da Stellantis estava a participar no campeonato português de monolugares em Portimão... num Alfa Romeo Fórmula 3 de 1983.
Um carro de corrida Alfa Romeo dos anos 80
O carro inscrito por Carlos Tavares não é um monolugar qualquer. É um Ralt RT3 de 1983, equipado com um motor Alfa Romeo, uma máquina que se tornou um culto no mundo da Fórmula 3.

Na sua época, o Ralt RT3 era uma das referências absolutas da categoria. Este monolugar explorava plenamente os princípios do efeito de solo que dominavam o desporto automóvel da época. O seu chassis monobloco em alumínio extremamente estreito, a sua suspensão interior e a sua aerodinâmica inspirada na F1 faziam dele um carro formidavelmente eficiente.


Sob o capot traseiro estava um motor Alfa Romeo 2.0 litros de 4 cilindros de aspiração natural derivado do famoso Twin Cam de produção. Preparado para corridas, este motor produzia entre 165 e 190 cv, consoante a configuração. Números modestos hoje em dia, mas que, combinados com um peso de cerca de 455 kg, permitiam a este F3 atingir entre 240 e 250 km/h com um som tipicamente Alfa Romeo, raçudo e mecânico. O Ralt RT3 é frequentemente considerado como um dos melhores carros de Fórmula 3 do início dos anos 80, ao ponto de ter servido de trampolim para vários futuros pilotos de F1.
Um fim de semana cheio de acontecimentos em Portimão
Carlos Tavares partilhou vários momentos do seu fim de semana de corrida no mítico circuito de Portimão, no Algarve. Uma pista que o próprio descreve como “uma delícia”, com as suas curvas cegas, inclinações irregulares e velocidade média elevada.

No entanto, o fim de semana teve um início complicado. Durante os treinos livres, o Alfa Romeo Ralt RT3 envolveu-se num contacto com outro concorrente, mas a qualificação correu melhor, com um tempo de 1m59s que permitiu a Tavares conquistar o sexto lugar da geral e o primeiro lugar entre os ’Non FR2000s“.
O domingo foi muito mais intenso. Na primeira corrida, um problema de embraiagem obrigou-o a arrancar... com o motor de arranque. Como se isso não bastasse, uma roda traseira solta a três voltas do final complicou ainda mais a situação. Resultado: nono lugar na geral e terceiro na classe. Na segunda bateria, a embraiagem voltou a falhar ao fim de apenas duas voltas. Apesar disso, Carlos Tavares continuou a corrida sem embraiagem, melhorando mesmo o seu melhor tempo de 1’58.604. No final, terminou em sexto lugar à geral e em primeiro na categoria “Non FR2000”.

Em 2026, há algo de simbólico em ver o antigo patrão do grupo Stellantis, que queria fazer da Alfa Romeo uma marca 100 % eléctrica, a conduzir hoje um Alfa Romeo monolugar com mais de 40 anos, equipado com um motor de aspiração natural que grita a quase 10.000 rpm.

