
Para compensar o tempo perdido na hibridação, Stellantis está a intensificar os seus lançamentos e a apoiar-se em parceiros externos. Por exemplo, o último Cherokee foi lançado nos Estados Unidos com uma transmissão Aisin, as tecnologias de extensor de autonomia da Leapmotor poderão ser adquiridas pelo grupo e agora está prestes a aparecer um novo aliado.
Existe ainda uma lacuna na gama europeia de grupos motopropulsores Stellantis, que não oferece um híbrido completo entre os híbridos ligeiros (nomeadamente os que utilizam o 1.2 turbo original da PSA e a transmissão robotizada fornecida pela Punch Powertrain, como o Alfa Romeo Junior Ibrida) e os híbridos plug-in que utilizam a tecnologia PSA ou um grupo motopropulsor da FCA, como o Alfa Romeo Tonale Ibrida Plug-in.
O Alfa Romeo Tonale está a perder força comercialmente. A marca determinou que uma das principais razões para tal é a ausência de uma versão híbrida completa: é proposto em versões diesel, micro-híbrida e híbrida plug-in, mas não com este tipo de grupo motopropulsor.
Para melhorar as vendas do segmento C, e da Alfa Romeo em particular, era necessário recorrer a uma parceria externa. Mas quem poderia fornecer tecnologia competitiva no prazo certo? Felizmente, há um construtor suficientemente desesperado para aceitar qualquer tipo de parceria: a Nissan.

Para cumprir os prazos e manter os custos baixos, foi decidido utilizar a plataforma do Qashqai e dar-lhe um novo estilo, em vez de adaptar o seu sistema ePower à plataforma Tonale. Apenas o motor de combustão não será partilhado, uma vez que a Nissan pretende manter a exclusividade do seu motor de 1,5 litros e a Alfa Romeo quer dar a este novo modelo um carácter mecânico mais «interno». Por conseguinte, será equipado com o mesmo motor de 1,5 litros turbo de 160 cv da versão micro-híbrida do Tonale*.
Do ponto de vista exterior, as principais diferenças residirão na parte dianteira. Do ponto de vista industrial, foi decidido que as carroçarias da fábrica da Nissan em Sunderland seriam modificadas na fábrica de Pratola Serra, normalmente dedicada à produção de motores. Uma escolha lógica, dado que a principal operação será a adaptação do grupo motopropulsor da Alfa Romeo. Uma vez que o motor «Firefly» de 4 cilindros é mais largo do que o Nissan de 3 cilindros, é possível que o compartimento do motor tenha de ser aumentado.
Ao que parece, a Alfa Romeo optou por dar a este novo modelo o nome de Arno, em homenagem ao rio italiano onde Santo Ficili, o CEO da marca, gosta de ir pescar. Esta escolha está em linha com as referências à geografia italiana utilizadas para nomear os SUV da marca, mas de resto é inédita e não indica qualquer ligação a qualquer modelo do passado da Alfa Romeo. É preciso dizer, afinal, que o casamento em Itália de uma carroçaria japonesa com um grupo motopropulsor transalpino é algo que, provavelmente, pensávamos nunca vir a ver, o que só mostra que vivemos mesmo em tempos incríveis! 🐟