
A indústria automóvel italiana está a atravessar um período difícil, mas alguns locais encarnam mais do que outros as dificuldades do momento. É o caso da fábrica Stellantis de Cassino, que ao longo dos anos se tornou um símbolo preocupante do abrandamento industrial do Grupo em Itália. Em janeiro de 2026, a fábrica funcionou apenas durante quatro dias. Uma situação que, segundo o Secretário-Geral da Uilm, Rocco Palombella, «não tranquiliza ninguém». E com razão: mais de seis semanas após as férias de Natal, a atividade ainda não foi verdadeiramente retomada.
Cassino, o doente crónico da indústria automóvel italiana
O problema vai muito para além de um simples abrandamento temporário. Toda a produção automóvel italiana da Stellantis já diminuiu para 379 706 veículos até 2025, Este valor é ainda inferior em 20 % ao de 2024, que já foi um ano catastrófico, com os volumes a atingirem o seu nível mais baixo desde 1956.
Mas Cassino é pior. A fábrica acumula paragens há anos e, em 2025, esteve parada durante 105 dias. De acordo com a imprensa local, a fábrica é por vezes mais noticiada quando abre do que quando fecha. No total, apenas 19.000 carros foram produzidos aqui em 2025. Em 2017, este número ultrapassou as 135.000 unidades.
Giulia, Stelvio e Grecale produzidos em câmara lenta
Cassino continua a montar modelos estratégicos: os Alfa Romeo Giulia e Stelvio e o Maserati Grecale. Mas o ritmo não é nada parecido com o de antigamente. O Giulia e o Stelvio representam cerca de três quartos da produção, com 14.378 unidades, enquanto o Grecale continua abaixo da marca das 5.000. A versão eléctrica do SUV Maserati mal ultrapassa os 4 % de volume.
Para 2026, algumas estimativas apontam já para um nível ainda mais baixo: apenas 13 000 veículos durante o ano.
O adiamento dos novos modelos Alfa Romeo deixa tudo em suspenso
A principal causa desta paralisia foi agora identificada: o adiamento das novas gerações do Alfa Romeo Stelvio e do Giulia. Inicialmente previstos para o final de 2025, os modelos foram adiados em cerca de três anos. O objetivo é alargar a gama de motores e não apenas oferecer 100 motores eléctricos %. Mas, entretanto, Cassino não tem um verdadeiro projeto industrial. Por conseguinte, até 21 de fevereiro, não foi anunciado qualquer arranque concreto. A imprensa local fala mesmo de um prolongamento das «férias forçadas».
Os subcontratantes começam a pagar o preço
A crise alastrou para além da própria fábrica. Todo o ecossistema industrial em torno de Cassino foi afetado. Quarenta e cinco trabalhadores de empresas subcontratadas estão a arriscar os seus empregos. Se até 30 de abril não for dada qualquer garantia de continuidade das encomendas, os despedimentos poderão tornar-se permanentes após o procedimento legal de 75 dias.
A esperança assenta agora numa data: 21 de maio de 2026. No Dia do Investidor, o novo diretor-geral Antonio Filosa deverá apresentar o primeiro plano industrial pós-Tavares. Os investimentos em Itália serão apresentados em pormenor e Cassino espera conhecer finalmente o seu futuro. Porque hoje, a fábrica dá a impressão de ter estado presa numa interminável pausa de Natal.