
Um mês depois de ter anunciado o fim gradual do teletrabalho, Stellantis está a acelerar. O que, até há pouco tempo, parecia ser uma transição gradual, está agora a tornar-se uma trajetória clara: um regresso ao escritório para todos. Mas à medida que o calendário se torna mais claro, surge uma questão inesperada, particularmente em Itália: os escritórios ainda são suficientemente grandes para acolher toda a gente?
A nova direção acelera o regresso ao escritório
A mudança já não é teórica. Sob o impulso da nova equipa de gestão dirigida por Antonio Filosa, Stellantis quer voltar a colocar os engenheiros, os técnicos e os quadros médios no centro das instalações físicas. O objetivo é claro: recriar a proximidade, facilitar as trocas informais e acelerar a tomada de decisões num contexto industrial cada vez mais exigente.
Nos Estados Unidos, o calendário já foi fixado. A partir do final de março de 2026, os trabalhadores em causa terão de regressar ao local de trabalho cinco dias em cada cinco. O teletrabalho, outrora um símbolo de modernidade no Grupo, está a tornar-se uma exceção.
Na Europa, a transição será mais gradual, mas a direção já não deixa muitas dúvidas quanto ao destino final: o modelo híbrido é coisa do passado.
A Itália na linha da frente, com um calendário já estabelecido
É em Itália que estão a surgir as primeiras consequências concretas. Dos cerca de 8.000 trabalhadores afectados, quase 5.000 terão de regressar ao escritório pelo menos três dias por semana até setembro de 2026.
As instalações de Mirafiori, em Turim, são particularmente afectadas. Nela se encontram não só as equipas históricas, mas também novas entidades, como a Stellantis Europe Enlarged e a divisão ProOne. Estas estruturas tinham sido concebidas para funcionar com base no teletrabalho e na rotação.
O regresso maciço às reuniões presenciais levanta, por conseguinte, uma questão muito pragmática: como é que se pode colocar toda a gente em espaços concebidos para uma participação parcial?
Mirafiori enfrenta um desafio inesperado: falta de espaço
O paradoxo é impressionante. Enquanto Stellantis quer repatriar as suas equipas, alguns edifícios não estão preparados para absorver esse regresso. A famosa palazzina dos Enti Centrali, reconhecível pela sua emblemática placa Fiat, está atualmente a ser renovada. As obras só deverão estar concluídas em 2027. Até lá, a capacidade continua a ser limitada.
Por conseguinte, as questões internas multiplicam-se. Será necessário reorganizar os espaços, tornar os escritórios mais densos, ou mesmo reintroduzir formas de rotação, apesar do fim do teletrabalho? A questão já não é apenas social, está a tornar-se logística.
Os trabalhadores são obrigados a repensar a organização da sua vida
Como era de esperar, esta mudança de direção não foi isenta de tensões. Nos últimos anos, muitos empregados reorganizaram radicalmente a sua vida quotidiana em torno do teletrabalho. Alguns deixaram Turim para se deslocarem para mais longe, enquanto outros construíram o seu equilíbrio pessoal com base nesta flexibilidade. O regresso imposto ao escritório está agora a transformar estas escolhas em constrangimentos. Muitos voltarão a ser trabalhadores pendulares, com tempos de deslocação mais longos e um estilo de vida que terá de ser readaptado.
Para a Stellantis, a lógica continua a ser coerente. Numa indústria em plena mutação, com a eletrificação, o software de bordo e a pressão da concorrência mundial, a direção vê a colaboração física como uma alavanca para o desempenho.
O escritório voltou a ser uma ferramenta estratégica. Um lugar onde a inovação, a rapidez de execução e a coesão da equipa estão em jogo. Mas este regresso ao “escritório cara a cara” está a abrir um novo campo de incerteza. Stellantis terá de encontrar um equilíbrio delicado entre as restrições imobiliárias, as expectativas dos trabalhadores e a evolução das práticas de trabalho.