
Trata-se de uma pequena alteração contabilística que pode ter consequências importantes para a transparência. Durante anos, durante a era da FCA, e depois novamente sob Stellantis, Maserati foi tratada separadamente nos resultados financeiros do Grupo. A marca com o tridente tinha os seus próprios indicadores publicados: entregas, vendas, rendibilidade. Uma situação única na carteira Stellantis. Mas esta situação pode desaparecer em breve.
O fim de uma exceção Maserati
Durante a apresentação dos resultados de 2025, Antonio Filosa confirmou uma mudança importante: a partir de 2026, a Maserati deixará de ser apresentada como um segmento separado. A partir de agora, a marca será incluída nos resultados regionais, «de forma coerente com as outras marcas».
Por outras palavras, a Maserati será enterrada nos números da Europa, da América do Norte ou de outras regiões, tal como a Fiat, a Peugeot, a Opel ou a Jeep. Esta alteração põe fim a uma exceção histórica. Ainda hoje, Stellantis não publica pormenores sobre as entregas da Fiat, nem sobre as receitas da Alfa Romeo ou da Peugeot isoladamente. A Maserati era a única marca que beneficiava deste nível de visibilidade.
A transparência pode desaparecer
Para nós, isto significa uma coisa simples: tornar-se-á muito mais difícil avaliar com exatidão o desempenho. Até agora, era possível acompanhar: a evolução dos volumes, das vendas, das margens e, por conseguinte, da contribuição para o Grupo.
Amanhã, é provável que estes indicadores se diluam em agrupamentos regionais muito mais vastos. Mesmo que Stellantis prometa para março uma nova grelha de interpretação financeira, a integração da Maserati nas regiões implica automaticamente uma perda de legibilidade.
O fim de um projeto spin-off?
Esta mudança levanta também uma questão estratégica. Se a Maserati beneficiou até agora da separação dos relatórios, não foi provavelmente por acaso. Durante muito tempo, a possibilidade de um spin-off (uma flutuação na bolsa ou a dissolução do Grupo) foi seriamente considerada.
Neste contexto, fazia sentido publicar dados pormenorizados sobre as vendas, as receitas e a rentabilidade. Isto permitiu valorizar a marca como uma entidade autónoma, comparável à Ferrari. Durante o debate com os analistas, o UBS colocou a questão de frente: esta integração deve ser interpretada como um sinal de que a Maserati continuará a fazer parte da Stellantis? Antonio Filosa não deu uma resposta direta, remetendo para o próximo Investor Day, a 21 de maio.
Regionalização... ou discrição?
Oficialmente, Stellantis explica esta mudança pela vontade de ’aumentar o nível de regionalização«. A ideia é aproximar a análise financeira da realidade operacional dos mercados.
Na prática, porém, esta mudança poderia ter também o efeito secundário óbvio de tornar menos visível o desempenho da Maserati. Numa altura em que a marca atravessa uma fase delicada, com uma rentabilidade negativa, o desaparecimento de indicadores específicos tornará mais difícil a análise da sua trajetória.
Esta escolha contabilística pode marcar um ponto de viragem. Durante anos, a Maserati foi apresentada como uma marca de luxo separada, quase candidata a um destino autónomo. Amanhã, será tratada como apenas mais uma marca num portefólio global. Menos exposta... mas também menos visível. E para entusiastas como nós, é uma pena!