
Durante vários anos, Fiat parecia estar a afastar-se do seu ADN: oferecer automóveis simples, populares e acessíveis. No Salão Automóvel de Bruxelas de 2026, o Diretor-Geral da Fiat, Olivier François, entrevistado pela Auto Infos, não escondeu isso: A Fiat tornou-se demasiado cara. E a prioridade número um é agora clara: conseguir um carro novo abaixo da simbólica marca dos 15.000 euros.
Uma tomada de consciência tardia
A franqueza de Olivier François foi uma surpresa. O facto de ter reconhecido publicamente que os preços praticados nos últimos anos já não correspondiam à imagem da Fiat não foi insignificante. Com efeito, durante a era Stellantis, a evolução para o topo da gama imposta a várias marcas fez com que a Fiat perdesse o seu papel histórico de construtor popular. O resultado foi a subida dos preços (recorde-se o Fiat 600, disponível apenas na versão eléctrica, com um preço superior a 30 000 euros) e uma diminuição progressiva dos volumes na Europa. Os números falam por si. De acordo com as nossas informaçõesAté 2025, excluindo a América do Sul, a marca terá sofrido uma redução de 58 %.
Redução de preços
A primeira resposta da Fiat foi imediata: o regresso das versões de entrada de gama à sua gama atual. O Fiat 500 está de volta com uma versão híbrida ligeira, com um preço de cerca de 19 400 euros, bem abaixo da versão eléctrica 100 % que era anteriormente a norma. O Fiat Grande Panda seguiu o exemplo com uma versão a gasolina com uma caixa de velocidades manual a partir de 16 900 euros, enquanto o Fiat 600 também receberá um motor a gasolina não híbrido mais barato na primavera. Estes ajustamentos são um primeiro passo, mas não resolvem totalmente o problema central: atualmente, o único modelo que se aproxima realmente da marca dos 15.000 euros continua a ser o Fiat Panda, um veículo cuja conceção remonta a 2011. Apesar da sua idade, continua a dominar o mercado italiano, provando que a procura de um carro simples e acessível ainda é muito real.
De volta ao espírito do Panda original
É precisamente neste ponto que a Fiat pretende tirar partido. Olivier François afirma que a primeira prioridade é substituir o Panda atual por um modelo mais pequeno, mais simples e muito mais barato, no espírito do Panda de 1980. Este futuro citadino será posicionado abaixo do Grande Panda e terá um preço de base inferior a 15.000 euros. A principal mudança, no entanto, vem dos aspectos técnicos. Enquanto a Fiat falava recentemente de versões exclusivamente eléctricas do Panda e do 500, o patrão da marca fala agora de uma "oferta multi-energia".
A questão da plataforma permanece em aberto. Há muito associado ao STLA Small, este futuro Panda poderá finalmente basear-se numa arquitetura dedicada ao segmento A, designada STLA City. O desafio é imenso: conter os custos, integrar tecnologias modernas, respeitando as normas de segurança e as restrições ambientais. É aqui que surge a ideia de um motor híbrido eficiente. Um Fiat Panda híbrido moderno e bem equipado, com um preço inferior a 15.000 euros, seria uma adição bem-vinda a um mercado onde os novos veículos citadinos têm atualmente preços superiores a 20.000 euros.
Automóveis concebidos para todo o mundo
Este renascimento implica também uma nova abordagem industrial. A Fiat está agora a concentrar-se em modelos globais, produzidos em várias regiões e adaptados localmente. O Grande Panda, por exemplo, será fabricado na América do Sul, no Brasil, onde será comercializado sob a designação Argo, sendo também produzido na região África-Médio Oriente. Este agrupamento destina-se a gerar as economias de escala indispensáveis para atingir os objectivos de preços. A mais longo prazo, a Fiat pondera mesmo um regresso ao MPV, herdeiro do Idea e do Multipla, bem como a chegada à Europa de uma pick-up brasileira derivada da Strada, atualmente um best-seller absoluto no Brasil.
Tinha-me deparado com a fatura do Fiat Panda dos meus pais, edição do 30º aniversário, comprado novo em 2010 por... 9.500 euros. Um outro mundo.