
Para alguns, a paixão pelo automobilismo é transmitida durante um passeio de domingo. Para Neil e Sterling Fairman, ela foi construída... nas boxes. Ferrari. Desde os 4 anos de idade, Sterling acompanhava o seu pai aos circuitos. Enquanto Neil corria no Ferrari Challenge, o rapazinho andava pelos paddocks, ajudando os mecânicos a limpar as jantes ou a cuidar dos carros entre as sessões. Foi um ambiente que moldou uma paixão precoce e visceral pelas corridas.
Esta imersão tornou-se rapidamente um ritual. Fim de semana após fim de semana, pai e filho partilharam os circuitos, desenvolvendo mais do que um simples hobby: uma ligação única.
Do karting à competição... juntos
Logicamente, Sterling passou do paddock para o volante. Introduzido no karting em tenra idade, participou numa série de competições nacionais entre os 8 e os 16 anos. Talentoso, chegou a ganhar vários títulos, incluindo dois campeonatos em Homestead. Mas para além dos resultados, foi sobretudo a relação pai-filho que se fortaleceu. Viajar juntos, correr juntos, viver as mesmas emoções... a competição tornou-se a sua linguagem comum.

Até que deram o passo simbólico de correr no mesmo carro. Participaram numa corrida de GT em Homestead, antes de viverem uma experiência ainda mais memorável nas 500 milhas de Miami. Nesse dia, não se limitaram a partilhar o volante: ganharam a corrida. Foi uma vitória que resumiu anos de cumplicidade e paixão.


Uma coleção de Ferrari construída por dois
Embora a pista tenha cimentado a sua relação, o seu outro recreio é a garagem. A coleção Fairman, centrada na Ferrari, é o fruto de uma construção conjunta. Tudo começou com um Ferrari F430, o primeiro carro de Sterling, e o verdadeiro ponto de viragem veio com a chegada do 458 Speciale.


A partir daí, uma oportunidade seguiu-se a outra. Os dois homens começaram a construir uma coleção coerente, guiados pelos seus gostos por vezes diferentes. Neil preferia Ferraris atmosféricos, fiéis ao ADN purista da marca. Sterling, por outro lado, sente-se atraído por carros mais radicais e rudes, mais próximos das corridas. Mas esta dualidade não os coloca um contra o outro. Ela enriquece a sua coleção.
Atualmente, escolhem os seus automóveis em conjunto, visitam a Ferrari lado a lado e participam em eventos de prestígio como a Monterey Car Week em Pebble Beach.
Ferraris de sonho... outrora pendurados nas paredes
Para Sterling, esta coleção tem uma dimensão quase irreal. Os modelos que possui atualmente não são insignificantes: são os que admirava em criança. Os que ele costumava exibir nas paredes do seu quarto. Os que ele reproduzia em miniatura. «Estes são os carros que eu tinha nas paredes do meu quarto», confidencia. O seu período preferido? Os anos de 2008 a 2018, um período que considera ser a idade de ouro do automóvel. Carros que ainda eram analógicos, emocionais e já extremamente potentes.

Entre os seus modelos preferidos encontra-se o 458 Speciale Aperta. O seu pai tem uma admiração especial pelo Daytona SP3, pelo seu V12 de aspiração natural e pela sua ligação com os lendários protótipos da Ferrari.
Apesar do seu envolvimento no mundo dos coleccionadores, Neil e Sterling continuam ligados ao essencial: a sua relação. Os eventos, as redes, a comunidade... tudo isso passa para segundo plano. O seu prazer é outro: um passeio de domingo, um dia de pista ou um fim de semana de Grande Prémio, nomeadamente em Montreal, onde Neil vai há décadas.

A sua ambição vai ainda mais longe. Vêem esta coleção como um legado, uma história de família que pode ser transmitida às gerações futuras. Para eles, os automóveis não são apenas uma paixão ou um investimento. É um veículo para transmitir a sua paixão.
«Tornar esta atividade numa atividade familiar»
Para aqueles que querem começar a colecionar automóveis, o seu conselho é simples: não sigam as tendências, sigam os vossos próprios desejos. E, acima de tudo, partilhem a vossa paixão. «Façam disto uma atividade familiar», insiste Sterling. «É isso que cria as melhores recordações.»
Neil vai na mesma direção: envolver os filhos, fazer viagens, assistir a corridas em conjunto... tudo experiências que excedem em muito o valor dos próprios carros.
